Sejam bem-vindos ao décimo episódio do podcast Os Escapistas. Nele¹, em comemoração aos 80 anos de Batman, no rimo de antologias temáticas, Luwig Sá tem conversas a dois com Yuri Saladino, sobre o Ano Um segundo a perspectiva de Selina Kyle; Mauro Ellovitch irá ao encontro e de encontro às duas faces de Harvey Dent; Marlo de Sousa examina o legado do morcego com os três primeiros Robins; e Reginaldo Yeoman suja as mãos numa revisão dos encontros com o Monstro do Pântano.

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Aperte o Play e ouça o primeiro Guia Clandestino de Leituras Quirópteras².

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¹ Com introdução de Myrella Mendes e vinhetas de Do Vale. ² Editorial após os links Amazon.

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Casting do GUIA CLANDESTINO DE LEITURAS QUIRÓPTERAS

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 RECORTE:

Mulher-Gato

Mulher-Gato [Abril] – Guardiã da Sua Irmã

Duas-Caras

Batman Anual #2 [Abril] – O Olho de Quem Vê

Nós Somos Robin

Batman #32 [5ª Série/Abril] – Robin Dia Um

Batman #21 [1ª Série/Panini] – Cavaleiros Aprovados

Batman #12 [4ª Série/Abril] – Sem Ar

Batman #19 [4ª Série/Abril] – Dois Pássaros com Uma Pedrada Só

Batman #14 [5ª Série/Abril] – Correnteza

Batman #64 [1ª Série/Panini] – Viagem Assassina

Monstro do Pântano

As Várias Faces de Batman – Noite do Morcego

Monstro do Pântano #10 [Abril] – O Jardim das Delícias Terrenas

Batman #10 [5ª Série/Abril] – Monstros do Pântano

Batman #12 [3ª Série/Panini] – O Brejo e o Destemido

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Material Extra publicado em Monstro do Pântano #1o [Abril]

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Playlist das faixas utilizadas durante o programa

Links Afiliados:

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EDITORIAL

A decisão de escolher aquela revista em quadrinhos de um personagem clássico, dar alguns passos até o jornaleiro e pagar o preço de capa já não é algo tão simples quanto a vinte, trinta, quarenta anos atrás. Hoje, a política de preços indecifrável, leonina, luxuosidades inviáveis, a ampla e irrestrita diversidade de mídias confundem as melhores pretensões dos leitores mais otimistas e torna o singelo ato de pagar por sua revista um verdadeiro esforço de desapego. Afinal, daqui a algum tempo um publisher qualquer, há um continente de distância, vai riscar da continuidade daquele singular universo a mesma edição que o nosso amigo aí acima, bem ou mal, adorou ou detestou, e guarda com algum zelo, envolta num invólucro plástico, acondicionada numa estante específica de sua sala – isto é, se sua esposa for boazinha.

O fato é que o neófito nos quadrinhos oriundo do cinema, televisão ou games quando digere aquele derivado e opta por comparecer a uma banca de revistas, terá ali mesmo a ingrata e gratuita tarefa de adquirir algum discernimento entre as versões em celulóide, pixels e gráficos e, claro, a que está em vigor em celulose naquele momento. Se ele tem juízo, vai perceber que é extremamente dispendioso aventurar-se pelo mar sem fim chamado cronologia e vai dar o fora dali tão rápido quanto possível. Aliás, cronologia é uma faca de infinitos gumes que tanto desperta quanto debela paixões, na verdade, é também um dos grandes motivos pelos quais o público consumidor de quadrinhos de super-heróis envelheceu. Sem renovação aparente, ora são antigos leitores que resgataram velhos hábitos, ora são aqueles outrora pequeninos que ao longo do tempo aumentaram seu poder de compra.

Numa era marcada pela ascensão do prático e rápido mangá, com tramas pautadas pela objetividade criativa, com inícios, meios e fins exequíveis em curto ou médio prazo, personagens octagenários como o Batman perdem terreno nas bancas justamente por não serem nos quadrinhos o que são no transmídia, ou seja, um arquétipo herói reconhecível, decifrável. Logo, para o neófito é bem mais fácil aguardar alguns anos pelo próximo game ou filme do que o intervalo entre aquele “continua” e a edição que dá seguimento a aventura no mês seguinte.

Sinto-me frustrado com isso, em ver que hoje um super-herói clássico de histórias em quadrinhos é não mais que um garoto propaganda para licenciamentos dos mais diversificados. Foi-se o tempo em que um garoto que assistia a um desenho animado antes de ir à aula, pedia a sua mãe que quando saísse do trabalho, comprasse aquela revistinha em quadrinhos daquele personagem. É assim que uma geração de futuros entusiastas da nona arte vem se perdendo, preterindo os maravilhosos contos detetivescos de Dennis O’Neil e Neal Adams a brinquedos e artigos de cama, mesa e banho.

Se é que ainda existe uma velha escola, ali estou eu, na fila da frente. Os tablets ajudam horrores, podem comportar uma biblioteca de histórias em quadrinhos que tu nunca terás tempo hábil para ler na íntegra algum dia. Pode lhe garantir a leitura de uma edição esgotada há tempos no mercado nacional, diabos, pode até lhe conferir uma saga em primeira mão que demorará cerca de um ano para ser viabilizada no país. Mas sabe no que os tablets não são bons? Em contar uma história de uma estante abstrata, que não tem cheiros, que não implicou desafios e demandou sacrifícios, que não custou o escambo próprio de órgão$ e nem te deixou na mão após dez horas num ônibus sem qualquer fonte de energia. Uma estante de quadrinhos físicos seja ela repleta de volumes com páginas amareladas ou aqueles indeléveis que misteriosamente estão intocados pelo tempo, é algo que tem um coração pulsante e só o dono ouve-o bater.

Nossa proposta nessa série de podcasts é instalar no subconsciente do leitor uma linha de comando que o instile a construir a história de sua própria estante. Uma que ele chame de sua e possa também tecer uma continuidade própria, uma espécie de cronologia imaginária. Se o personagem que tanto admira não tem um início, meio e fim demarcado, invente um. Esse é o norte e o parâmetro adotado no Guia Clandestino de Leituras Quirópteras para entender as minúcias do filho bastardo de Bob Kane, Jerry Robinson e Bill Finger. O presente guia é um tour de force pelo coração do morcego, embarcando numa jornada sem precedentes pelas grandes, pelas pequenas e pelas histórias esquecidas de Bruce Wayne e todo o background pré-estabelecido em Gotham City.

Portanto, proceda agora com bastante cautela. Gostou da trilogia de filmes de Christopher Nolan? Impressionado com os arroubos criativos de Bruce Timm nas animações do cruzado embuçado? Faz horas que perdeu o juízo jogando Arkham City? O conselho que dou é – e desde já lhe remeto aos primórdios dessas breves linhas –, compre a revistinha do Batman, sim aquela mesmo, a que estava folheando agorinha, só não a leia. Guarde-a, eu sei que é duro, mas elas estão anos-luz de qualquer conceito que acabara de formar. Então, o que fazer?

Contenha-se, pequeno Robin, seu treinamento está apenas começando.

Luwig Sá

 

2 thoughts on “Os Escapistas #10 – GUIA CLANDESTINO DE LEITURAS QUIRÓPTERAS, VOL. 1

  1. Oi. Boa noite. Passando aqui para agradecer pelo podcast temático sobre o Batman. Que podcast bacana de ouvir. Gostei porque além de se um podcast temático sobre o Homem Morcego, vocês comentaram obras aleatórias, não se fixaram nos grandes clássicos do Batman ou graphic novels de “leitura obrigatória”. E obras ou arcos de histórias que com o passar dos anos e anos caíram no limbo editorial devido aos grandes eventos de proporções cósmicas (Zero Hora, Crise Infinita, Crise Final, Flaspoint/Novos 52, Renascimento e etc,etc,). Compartilharam suas experiências pessoais com as obras referidas e deixaram os ouvintes com vontade de lerem essas obras.
    Devo dizer fiquei com bastante vontade de ler “Catwoman: Her Sister’s Keeper” devido a abordagem em paralelo com trama de “Batman: Ano Um”. Como dito no programa, Selina Kyle é uma personagem de ao longo das décadas teve sua vida pregressa antes de se tornar a Mulher Gato e sua origem familiar redefinida muitas. Apesar de ficar na indefinição se “Ano Um” continua a valer ou se é o “Ano Zero” de Scott Snyder e Greg Capulo que vale, tenho minhas dúvidas que republiquem a obra “Catwoman: Her Sister’s Keeper” por atrelar o passado de Selina Kyle como prostituta e toda a problematização que é feita a respeito de personagens femininas nas HQ’s (é passível de fazer um paralelo com o podcast que vocês fizeram a respeito de “A Piada Mortal).
    Gostei bastante da abordagem pessoal que vocês deram as histórias citadas no episódio, e o relato de suas experiências. E gostei também da introdução ao episódio que é comentado o drama, porque não, é a decisão de comprar uma HQ de heróis no Brasil devido ao sistema de precificação e as escolhas que são demandas do leitor conforme a capacidade de poder de compra dele, conforme o luxo, o acabamento da publicação desejada por ele.
    Só gostaria de comentar que até hoje gosto e nutro um certo carinho pela “Queda do Morcego”, é um evento típico para chacoalhar o personagem e incrementar as vendas da revistas do personagem. E como comentado, devia me encontrar sob efeito dos “apelativos anos noventa”, mas gostava da histórias da Mulher Gato no título “Catwoman” pela dupla Jo Duffy e Jim Balent…
    E é isso, quero agradecer pelo podcast tão bem produzido e pelas horas de entretenimento (já escutei várias vezes). Obrigado a todos que participaram do “Os Escapistas #10 – Guia Clandestino de Leituras Quirópteras Vol.01”.

    1. Muito obrigado pelas palavras gentis sobre nosso podcast, Maicon.

      Sobre Queda do Morcego, estamos bolando uma forma de produzir um programa sobre o tema. Claro, é enorme a massa de texto, mas acho que pode se adequar à fórmula antologia do Guia Clandestino.

      Abração.

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